Uma das coisas que me deixa muito puto (leia-se:
frustrado), é as imposições que a sociedade nos faz e que
somos obrigados a seguir. Todo mundo tem a necessidade de ser aceito
por um grupo, e não me venha com a velha máxima “sou o que
sou, doa a quem doer.” Você pode até pensar assim, mas com
certeza não é assim que você age. Afinal, todos nos queremos ser
aceito pela família, pelo grupo de amigos que convivemos, no
trabalho e etc.
E é ai que somos obrigados a enfrentar nossos DILEMAS
DIÁRIOS. Esses dilemas começam logo que a gente acorda, tipo:
Sabe aqueles que cinco minutinhos que todo mundo gosta de ficar na
cama? Cinco minutos que gostaríamos que fossem horas. Então, na
verdade se fosse possível eu nem levantaria, mas não levantar e
acordar por volta das onze da manhã e ficar em dúvida se toma o
café da manhã ou almoça, implica em decepcionar seu chefe, seu
professor, seus colegas e ter que pensar em uma desculpa esfarrapada
que cole e amenize a situação.
Depois de escutar o celular tocar diversas vezes e você
vencer o incrível magnetismo que sua cama exerce sobre você é hora
de escolher a roupa para enfrentar as longas horas a seguir. Quando
se tem um uniforme, ficamos nos contemplando no espelho e refletindo
como aquela roupa não valoriza o nosso corpo ou como aquela cor não
realça a cor dos nossos olhos. Quando se tem que escolher
diariamente a roupa a se vestir, ficamos pensando o como seria bom
poder trabalhar com o pijama, afinal é a roupa que mais nos
representa. Com exceção de alguns publicitários que trabalham em
excêntricas agências e podem se dar ao luxo de trabalharem de
moletom e pantufas do Pluto, nós meros mortais somos obrigados a nos
vestir adequadamente de acordo com o ambiente de trabalho, seja você
um Analista de RH ou Vendedor daquela loja descolada no Shopping.
Por fim, ainda temos que tomar cuidado com as palavras
que usamos, com o jeito que falamos, com nossa comunicação
não-verbal para que as pessoas não interpretem mal nossas
intenções. Eu atá faço a linha supersincero, há quem diz
que eu sou o mestre de falar as verdades incomodas na brincadeira.
Mas mesmo assim, é tenso conseguir agradar gregos e troianos.
Ainda há aquele velho ditado “Diga-me com quem tu
andas, e te direi quem és,” fazendo nos importar com a imagem que
as pessoas iram fazer de nós pelas amizades que escolhemos.
No final das contas somos obrigados a interpretar vários
papeis durante o nosso dia a dia, utilizando várias máscaras e
vários figurinos. Minha reflexão é o que aconteceria se decidirmos
romper com esses dilemas e realmente ser quem somos? Ou será que
quem somos é a média aritmética das mascaras que usamos?
No final das contas vivemos em um constante equilíbrio
entre ser quem somos quando estamos sozinhos em nosso quarto pensando
sobre a vida e ser aquilo que a sociedade espera de nós.


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