terça-feira, 14 de maio de 2013

O CONFRONTAMENTO ESTÉTICO


Fui no cinema este final de semana e me deparei com uma verdade muito inconveniente: MEU GUARDA-ROUPA NÃO ME REPRESENTA.
Dizem que uma mulher não se arruma para os homens, mas para as outras mulheres. Segundo rezam as lendas urbanas, há uma necessidade de competição ainda não estudada no DNA feminino. Contudo, se isso for verdade, acho que não é nada comparado a competição que existe no meio “GAY,” ainda mais no masculino.
Um homem pensa em sexo a cada 28 segundos. Isso se ele for hétero. Se ele for gay deve ser a cada 9 segundos.” Queer as Folk, S1E01. 2000.]


Eu, um homem, gay, assumido, fora do meio (não frequento baladas, e points GLS), dificilmente entro em contato com os meus semelhantes, exceto os meus amigos é claro. Porém como decidi mudar o cinema que geralmente vou, acabei que fui a um Shopping aqui de Curitiba onde deve haver a maior concentração de gays por metro quadrado e finalmente tive contato com o mundo real.
Não que a sexualidade seja importante, mas é que o nosso senso estético só é colocado em cheque quando somos confrontado com o senso de um grupo que, teoricamente, tem os mesmos valores que o seu. Não que eu estivesse mal arrumado, pelo contrário, mas eu não estava correspondente as expectativas e querendo ou não quem não gosta de receber uma bela olhada quando anda na rua.
Trabalho em uma empresa em que parece que só reparam no meu trabalho quando eu visto terno e gravata, como se a roupa que eu visto fosse mais importante do que os resultados que eu apresento. Vivemos em um mundo que a marca da roupa que você usa é mais importante do que o seu carácter ou a sua personalidade. Sem falar na terrível pressão social sobre a “necessidade” de termos corpos esculturais e perfeitos.

Por favor, me deixem em paz. Se eu não agrado meus superiores serei obrigado a ocupar eternamente o mesmo cargo, com uma correção salarial anual deplorável. Se eu não agrado a população sexualmente ativa que me interessa serei obrigado a morrer como o terrível Capitão Ganho: Velho, sozinho e acabado. Se eu agrado a mim mesmo, desagrado todos os demais e acabo não conseguindo nem sorte no jogo, nem sorte no amor.
O que me resta é sonhar com um mundo em que a beleza interior realmente tenha algum valor. Buscar o equilíbrio entre os diversos sensos estéticos, aos quais somos subjugados diariamente é como andar pela corda bamba sem rede de proteção: o menor deslize pode ser fatal.

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