Grande parte das frustrações e desilusões amorosas que vivemos são
derivadas das expectativas que criamos em relação as próprias
histórias de amor que escreveremos durante a vida.
No conto de fadas moderno o príncipe encantado chega dirigindo uma
Ferrari vermelha e se apaixona perdidamente pela moça simples e
cheia de complexos de inferioridades, que não é capaz de reconhecer
a sua própria beleza. Neste conto de fadas o objetivo do príncipe
não é enfrentar dragões, trasgos e gigantes para resgatar a mulher
amada. Neste conto e fadas o objetivo do príncipe é fazer com que a
mulher amada encontre o amor-próprio e valorize sua beleza e seus
adjetivos e pare de se menosprezar e finalmente perceba que ela
merece, como qualquer outra, viver uma grande história de amor.
E claro que nesses tempos modernos a história pode sofrer pequenas
adaptações. Talvez seja a princesa que precise guiar o homem amado
em busca de seu próprio valor. Talvez sejam o príncipe se apaixone
por outro príncipe ou até mesmo seja uma história de amor onde as
protagonistas são duas princesas. Mas enfim, esse é um mero
detalhe.
Eu já vivi minha grande história de amor, mas infelizmente era
inexperiente para perceber que estava apaixonado e lutar por quem me
fazia tão bem. Por fim, o universo se encaminhou em fazer nossos
caminhos se separarem. Desde então eu aprendi muito sobre o amor,
graças a muitos sapos que beijei, aprendi o suficiente para aprender
diferenciar amor, paixão, amizade e desejo, que por mais que muitas
vezes pareçam ser tão similares, são tão diferentes. Aprendi o
suficiente para evitar o amor como o diabo foge da cruz, não pelo
medo de sofrer por amor, mas pelo medo de ter que expor minhas
fraquezas e sofrer com uma traição da minha confiança.
Afinal eu sou uma pessoa complexa, cheia de medos e cheia de
segredos. Uma pessoa que sente falta da época que não sabia nada
sobre o amor e era capaz de amar inocentemente.


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